abril 15, 2020 ·  3 min

Os institutos de ciência e tecnologia e os ecossistemas de inovação no Brasil

Instituições do gênero se tornaram importantes no desenvolvimento e aplicação de pesquisas que podem levar à rápida criação de novos produtos e serviços

Por Paulo Melo*

Os últimos anos têm testemunhado o surgimento de ecossistemas de inovação ao redor do mundo. Estes ambientes são locais propícios ao estímulo de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação através da cooperação de várias entidades. Mais recentemente, polos digitais têm se mostrado um formato ainda mais promissor neste sentido pois se fundamentam no uso de tecnologia de software para gerar impacto na sociedade. Os polos digitais concentram atividades de pesquisa, geração de novos talentos e aplicação de criatividade em problemas da sociedade com o objetivo de impulsionar soluções com vistas ao surgimento de novos negócios de impacto. A consequência disto é o estímulo às mudanças econômicas e sociais ao gerar mais riqueza, emprego e renda onde estão inseridos. Além do tradicional eixo Rio-São Paulo, iniciativas como essas já existem em Recife, Belo Horizonte, Florianópolis e Manaus, que tem fortalecido o seu polo digital.

Esses ecossistemas envolvem uma diversidade de iniciativas de tecnologias incluindo diferentes perfis, tais como startups, incubadoras, corporações e Institutos de Ciência e Tecnologia (ICT), públicos e privados, em diferentes graus de maturidade e vocação. Em geral, são nesses polos que surgem os casos mais interessantes de fintechs, healthtechs, indústria e varejo 4.0, fazendo uso de tecnologias disruptivas como Inteligência Artificial (IA), tecnologias imersivas, computação quântica, blockchain, entre outros.

Antes do surgimento desses ecossistemas, a inovação no Brasil estava restrita aos laboratórios de universidades e empresas. Nesse contexto, o desenvolvimento de tecnologias poderia levar anos ou até décadas para serem implementadas, seguindo tendências oriundas do exterior e as adaptando à realidade brasileira. O intuito era melhorar o desempenho das companhias nacionais ou filiais locais — com benefícios fiscais do governo — para se criar uma base tecnológica voltada ao mercado de consumo interno e assim diminuir a dependência das importações.

Entretanto, com a evolução tecnológica — que estabeleceu interações mais dinâmicas, complexas e exigentes –, como a computação em nuvem, convergência das redes e aceleração no desenvolvimento de softwares, e que impactam significativamente o ambiente de negócios, faz-se necessário o trabalho e pesquisa em rede, por meio da cooperação. A inovação, como a que conhecemos hoje, permite que um profissional atue, com os mesmos recursos, em qualquer lugar do mundo: da Índia aos Estados Unidos e com defasagens de tempo tecnológico menores, com padrões de códigos abertos e sistemas colaborativos.

Mas, afinal, diante desse cenário de maior cooperação, qual o papel dos ICTs no ecossistema de inovação atual? Os institutos têm se transformado em atores essenciais dessa nova era. Conhecidos, agora, simplesmente como Institutos de Inovação, desenvolvem pesquisas que podem ser aplicadas na criação de novos produtos que podem chegar em semanas ao varejo ou à indústria. Na região Norte do país, na capital do Amazonas, destaca-se o Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia que há 15 anos tem desenvolvido soluções de software para parceiros globais.

O Sidia tem atuado como um dos principais protagonistas do processo de
implementação do Polo Digital de Manaus, apoiando e fomentando ações que fortalecem o pensamento colaborativo, inclusive se unindo a outros ICTs, como o Instituto Eldorado e o Cesar (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), entre outros atores. Foram estes ICTs, mais o Hub de Inovação ValyUp e a Softex, os fundadores da Associação Polo Digital de Manaus, que propõe assumir a governança do ecossistema de inovação da região. Todos estão buscando contribuir para a criação de uma nova matriz econômica, ainda dependente do Polo Industrial de Manaus.

O papel dos Institutos de Inovação vai muito além da chamada “inovação disruptiva”, com lançamento de novos produtos ou mudança de processos. A melhoria de uma tecnologia torna uma empresa mais competitiva ao proporcionar segurança de dados agilidade nos processos, além de desenvolver ferramentas personalizadas às necessidades de cada negócio.

Os hubs de inovação que dão vida a novos empreendimentos permitem várias possibilidades de iniciativas de projetos que dificilmente seriam tirados do papel em outros ambientes. Independentemente da localização, na corrida pela próxima inovação de impacto estão todos buscando formas de colaborar e encontrar maneiras de se beneficiar de ambientes que promovam essa integração. A corrida vai ser longa e tem oportunidades para todos os perfis de atores nos atuais ecossistemas de inovação.

* Paulo Melo, gerente sênior de desenvolvimento de negócios do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia