setembro 28, 2019 ·  2 min

O estado atual do empreendedorismo no Brasil

País é o destino de mais de 50% dos investimentos de risco em toda a América Latina

Por Amanda Souza e Rodrigo Terron*, de Menlo Park (EUA)

Emsua 8ª edição, a BayBrazil Conference, principal evento da comunidade brasileira de tecnologia no Vale do Silício, convidou ao seu palco empresários, investidores e líderes do setor privado para discutir sobre ciência, tecnologia, inovação e, principalmente, o papel do Brasil na economia Global.

O Brasil lidera o mercado da América Latina em investimentos. Em 2018, por exemplo, recebemos US$ 1,3 bilhões, dos US$ 2 bilhões investidos em toda América Latina naquele ano, segundo dados apresentados por Julie Ruvolo, Diretora de Capital de Risco na LAVCA e moderadora do painel.

É evidente que, tratando-se de novas tecnologias e novos negócios, o brasileiro está aberto à inovação e é essa linha de comportamento que mantém os olhos do mundo inteiro voltados para o país.

Os convidados do painel eram Edson Rigonatti, da Astella Investimentos, Ekaterina Skorobogatova, da TheVentureCity, Manoel Lemos, da Redpoint e do Cubo Itaú, e Paulo Shargorodsky do Ebanx.

Para Edson Rigonatti, da Astella Investimentos, cinco tendências seculares conduziram o Brasil até seu atual status de prestígio no ecossistema. São elas:

  1. Pessoas que tiveram mais de uma experiência como fundadores;
  2. Expansão do mercado endereçável, com diversas startups tornando-se globais;
  3. Pessoas querendo trabalhar para startups (estamos atraindo talentos de todos os setores);
  4. A abundância de dinheiro investido em todas as partes da cadeia de valor, desde ONG’s até empresas em estágio final;
  5. (E mais importante, segundo Edson): Apenas 20% de nossa capacidade foi preenchida, ainda há muito espaço para investir dinheiro no Brasil e com risco muito melhor do que em países como Israel e China, por exemplo.

Manoel Lemos, da Redpoint, ainda acrescenta mais duas importantes teorias à receita de um mercado empreendedor de sucesso: “[…] é preciso entender a realidade das pessoas” e “[…] o tipo certo de problema cria boas soluções”.

“A Resultados Digitais, por exemplo, que levantou o maior investimento entre as companhias de software brasileiras. Eles criaram uma solução perfeita para o mercado emergente, um tipo de solução que não viria de um país desenvolvido.”, ponderou.

A transformação do país no setor de inovação e novos negócios também é notória quando avaliamos a própria infraestrutura brasileira. O pólo tecnológico que antes se concentrava em São Paulo, expande-se para novos territórios.

“Hoje em dia, os talentos da área se espalham pelo país inteiro. Um bom exemplo é Curitiba, mas também possuímos muitos outros hubs nacionais.”, disse Paulo Shargorodsky do Ebanx.

O maior desafio do mercado no momento é atrair pessoas para o setor de TI. Calcula-se que, até 2022, mais de 400 mil vagas estarão disponíveis, porém, não há mão de obra qualificada o suficiente para preenchê-las. Precisamos de desenvolvedores, mas não os formamos.

É aí que o investimento no mercado torna-se ainda mais importante, pois quanto maior ele for, mais pessoas se interessarão no setor e, consequentemente, iremos ainda mais longe.

São iniciativas como esta que ajudam a fortalecer a comunidade e tornar o Brasil a potência que o país tem competência para ser. Ainda há muito o que pavimentar pela frente, mas estamos no caminho certo.

(*) Amanda Souza e Rodrigo Terron são, respectivamente, jornalista e CEO da Shawee, plataforma para organização de hackathons