The Funnel Brasil #2 – Inverno de 2019

Na tão propalada curva de Gartner, após o hype, ou seja, a parte em que determinada tecnologia gera grandes expectativas no mercado ainda que não tenha provado sua viabilidade e potencial de ganhar escala, entra-se nas fases de Rampa de Entendimento e Platô de Produtividade. Essas duas fases são os períodos em que se separa o que de fato deverá ser realidade no cotidiano das pessoas de ideias que não se concretizaram. Em outras palavras: é a hora de distinguir o que realmente é inovação e o que é experimentação.

Trazendo a discussão para o tema de nossa reportagem de capa, as fases pós-hype é exatamente o momento que vivemos com a tecnologia de blockchain. Mais do que o Bitcoin, é ela quem deve permear uma série de inovações corporativas nos próximos anos. Inclusive já há diversos exemplos no mercado brasileiro que comprovam esta percepção. Sobretudo pela confiança que o blockchain inspira. É possível que em breve tudo que envolva infraestrutura e banco de dados esteja ligado a algum tipo de blockchain.

Ao longo de um mês, o editor da The Funnel Brasil, Dubes Sônego, conversou com empresas e especialistas para mostrar “A Real do Blockchain”. E o que constatou é que a previsão da própria Gartner de que o blockchain deverá criar US$ 3,1 trilhões em geração de valor para os negócios já começa a ser sentida no Brasil. Bancos, empresas de tecnologia, operadores logísticos e indústrias de alimentos são alguns dos exemplos de aplicações reais de blockchain. Então, se a sua empresa ainda não acordou para o tema, é bom correr. De maneira estruturada, claro.

Sistematizar a inovação é o que nos lembra o psicólogo americano Robert Keith Sawyer, autor e editor de quatorze livros sobre criatividade e aprendizado, quando questionado sobre processos que podem impulsionar a área dentro das empresas. “Criatividade é como um músculo. Você ficará mais criativo se adotar práticas e exercícios que treinem sua mente em hábitos mentais associados à ainda mais criatividade. Se você quer inovação organizacional, não busque em indivíduos solitários que têm ideias. Busque uma estrutura e uma cultura organizacional que reúnam as pessoas de um modo que suas ideias se juntem e sejam sinérgicas umas com as outras”, diz Sawyer.

E essa estruturação de mecanismos para promover a inovação estão presentes em outras matérias desta edição, seja nas dicas para organizar um hackathon eficiente para a sua empresa, nos investimentos em Health Techs por grandes empresas de saúde, ou então na bandeira levantada pelo climatologista brasileiro Carlos Nobre, de que a inovação é a melhor forma de assegurar a preservação da Amazônia. De olho no hype, mas mais atentos ainda no que irá virar realidade em breve.

Boa leitura!

Hilton Menezes

Diretor Executivo da The Funnel no Brasil e Sócio-fundador da Kyvo Design-Driven Innovation