dezembro 23, 2019 ·  2 min

Colmeia aposta em coliving em casarões de regiões centrais de São Paulo

Startup entra para o clube de Kaza, Loadd e outras companhias que exploram novos modelos de moradia compartilhada em grandes cidades brasileiras

Por The Funnel Brasil

O mercado de coliving, novo modelo de residência compartilhada, mais associado a estilo de vida que a limitações financeiras, vem ganhando corpo com novas startups em São Paulo. Depois de Kaza e Loadd, no ano passado, este ano uma das estreantes foi a Colmeia Coliving, que explora antigos casarões em regiões centrais da capital paulista. “A ideia surgiu da vontade de aproveitar espaços urbanos ociosos e atender a demanda por moradia de qualidade, mas com contratos mais flexíveis, sem tantas burocracia”, afirma André Bacaltchuk, sócio-fundador da empresa ao lado do arquiteto Lázaro Tribst.

A primeira unidade foi aberta em agosto, a segunda em novembro. Ambas com 16 quartos e oito banheiros, além de áreas compartilhadas como cozinha, sala de estar e lavanderia. A terceira unidade, hoje em reforma, afirma Bacaltchuk, está programada para fevereiro de 2020. As três ficam nos bairros da Consolação e Higienópolis. “No mercado de São Paulo, temos hoje um índice de desocupação de mais ou menos 20%. Muitas pessoas querem alugar ou vender seus imóveis e não conseguem”, diz. “A ideia é assimilar o aprendizado nas primeiras unidades e ganhar escala com a abertura de uma a cada três ou quatro meses”. 

A principal diferença entre o chamado coliving e outros modelos de moradia compartilhada, como pensões e repúblicas, segundo especialistas, é a relação com o estilo de vida. De modelo geral, quem busca habitações do tipo não está atrás apenas de redução de custo, mas também de modelos de contrato mais flexíveis, e de pessoas com as quais tenha interesses afins. No caso da Colmeia, diz Bacaltchuk, muitos moradores são estudantes, executivos de multinacionais ou de startups, com idades que varia entre 26 e 33 anos.

Ex-executivo de RH de multinacionais, função que desempenhou por dez anos, Bacaltchuk afirma que os dois principais diferenciais da Colmeia são justamente a seleção de pessoas com perfis compatíveis e o cuidado com a arquitetura, para que as pessoas “se sintam realmente em casa”. Os interessados em morar em um das casas da Colmeia passam primeiro por uma entrevista por telefone. Depois, preenchem um questionário com questões que vão desde a idade e a origem até perguntas relacionadas a comportamentos que consideram incômodos na convivência com outras pessoas, interesses de aprendizado e habilidades que poderiam ensinar aos outros. Por fim, há um bate-papo presencial, na casa. “Mas tudo isso é um processo muito rápido, porque tem que ser rápido”, diz o empresário. 

A inspiração para o modelo, conta Bacaltchuk, veio de viagens a Israel e aos Estados Unidos, durante um programa de educação feito em outra startup, especializada em programas personalizados de ensino, a Skep. Além de passar uma semana em um Kibutz, o empresário conta que visitou unidades de empresas como WeLive, nos Estados Unidos, que lhe deram a percepção de o quanto o negócio poderia ganhar escala, e teve mentores no Brasil, para entender rapidamente do mercado imobiliário local.

No futuro, afirma, a ideia é explorar também nichos mais específicos de mercado, como Coliving para pessoas que têm animais de estimação, pais solteiros com filhos pequenos e pessoas mais velhas, e membros da comunidade LGBT sem parentes que possam prestar assistência. “É um público que, muitas vezes, quando precisa ir para uma casa de repouso, se vê coagido a voltar para o armário para ser socialmente aceito”, afirma.