dezembro 18, 2019 ·  2 min

Blockchain começa a ser usado na gestão de emissões de gases do efeito estufa

Tecnologia desenvolvida pela startup brasileira BlockC foi apresentada recentemente em evento sobre inovação em transparência e gestão de risco

Por The Funnel Brasil

O blockchain começa a ser usado no Brasil para gestão de emissões de gases do efeito estufa. Espécie de banco de dados compartilhado e altamente seguro, a tecnologia serve para registrar e rastrear, da origem ao consumo, transações de compra de energia elétrica de fontes renováveis que geram créditos de carbono. Os créditos, na forma de certificados de energia renovável (RECs, na sigla em inglês), podem então ser adquiridos por outras empresas, através de uma plataforma digital, para compensar emissões ao longo de toda a cadeia produtiva.

O modelo foi apresentado no final de novembro pela startup brasileira BlockC durante o Agrotools Brand Connections at Microsoft, evento sobre inovação em transparência e gestão de risco, realizado em São Paulo. A plataforma da startup foi usada pelos organizadores para neutralizar as cerca de 12 toneladas de CO2 equivalentes geradas pelo consumo de eletricidade, tratamento de resíduos e deslocamento dos participantes.

Também foi adotada recentemente pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, para reduzir emissões de gases do efeito estufa relacionadas ao consumo de energia elétrica no aeroporto — foram neutralizadas quase 3.000 tCO2e (toneladas de CO2  equivalente), com a compra de 43.300 RECs lastreados na bioeletricidade injetada no sistema elétrico brasileiro por duas usinas do Grupo Balbo, no interior de São Paulo.

Segundo Adriano Nunes, cofundador e COO da startup, o objetivo agora é fechar contrato com empresas “núcleo”, em indústrias chave, e criar, a partir delas, um ecossistema de empresas integradas à plataforma. As empresas “núcleo” tendem a ser grandes companhias, com longas cadeias de fornecimento e poder para impor políticas de transparência. Ao aderirem à plataforma, tendem a arrastar junto diversos fornecedores, de transportadoras a fabricantes de embalagens, que, uma vez incluídos, podem oferecer a outros clientes a mesma transparência nas informações, criando um efeito multiplicador. “Estamos em negociação com três ou quatro grandes indústrias”, afirma o empresário.

De acordo com ele, é o alcance que diferencia a plataforma da companhia dos sistemas tradicionais de gerenciamento de emissões de gases de efeito estufa nas empresas. “Grandes ERPs tem módulos para fazer isso. Achamos que temos espaço no mercado porque há uma demanda pela análise do impacto sob uma ótica mais ampla. Quando você precisa controlar as emissões em uma cadeia de empresas, você perde a noção. Mesmo tendo um sistema interno eficiente”, avalia. Um exemplo seria o de empresas de fast food. A operação, olhada isoladamente, seria classificada como baixa emissora de gases do efeito estufa. “Mas, por causa dela, a cadeia de proteína animal emite pra caramba”, afirma.

O modelo de negócios da BlockC é baseado em três pilares. O primeiro é a receita com o setup da plataforma, de acordo com a área de atuação do cliente. Outra fonte é a taxa cobrada sobre cada transação realizada na plataforma. “São centavos, mas como são milhares de transações, isso gera uma receita importante”, afirma Nunes. Por fim, há o serviço de consultoria às empresas. A BlockC, que têm origem em uma empresa de consultoria da área, a EQAL, orienta os clientes sobre como reduzir as emissões de gases do efeito estufa e ganha um percentual preestabelecido de acordo com a economia gerada.